Retirado e editado do livro Tristão e Isolda, adaptação feita por Hannah Closs, espero que gostem destes versos desconexos que narram parte de um romance tão incrível.
TRISTAN & ISOLT
Noite-
E tenda após tenda-
Como poderia ela saber que de baixo de cada uma
a morte e um sonho eternamente unidos
como na água, a sombra e a luz,
e que entre os dois
a fé opera o milagre? Estava para nascer
a verdade para nós gravada na parede etrusca
a espiral de treva
soldada anel por anel.
A queda vertical
pelo buraco do tecido,
imperdor ou rei,
dormido ou gasto.
Quem viu, quem atentou
para a luz
(mesmo o anjo escureceu)
perfurada até o sonho?
"In hoc signo vinces."
Mas nela mesma só o temor crescente
entre as tendas afogadas em sono
por um, um ainda desconhecido,
ela tem de guardar
o corpo chagado e sangrado
para além de qualquer cura possível.
Mas quando ela se viu só, lá dentro,
com ele, e sozinha,
com o último, o intransponível abismo entre eles
passado.
De joelhos,
ela foi só boca
por sobre a boca dele, sede
abrandada e saciada
para além de todo o medo, de toda reza,
e do próprio desejo.
Oh, qual era então
a medonha profundeza, a altura
dessa fatalidade, contra o ser dela
derramado até a plenitude
para além do tempo e da tumba-
gastando e gasto-
até que ele foi arrancado contra a luz
sem ver
cegado pela morte ainda
indo de sombra em sombra,
mas nascido de novo
na escuridão do ventre dela.
Tempestade ao amanhecer-
"Tumultuosas são as ondas e tumultuoso o trovão
Pois que o sejam no seu entrechoque.
Quanto a mim, no dia do conflito, eu sou Tristão."
A calmaria-
Vento sul,
Frescas rosas,
Buquês.
A grinalda cinge
Sua dourada cabeça.
Boca beijada,
Vermelha.
Na direção das medas de trigo,
Seus pés a levaram,
Ligeiros.
Vai atrás correndo.
Andorinha, andorinha,
O que buscas, o que achas?
Aridez apenas.
E as folhas secas
O vento carrega
De arrastão.
Tumultuoso entardecer-
Vento norte,
Armaduras.
Sacia a sede e mata.
Sem cavaleiro as montarias
Se extraviam.
A cólera dos homens
Alimenta os corvos.
Rei coroado, bobo da corte,
Cova comum.
Oh corvo, corvo,
O que buscas, o que achas?
Escura sega-
A erva que a aragem sopra
Curva-se ao vento.
Divida de alma-
"E das mãos dela bebi,
Deus meu,
A aurora...
Sol poente-
Ó cabeleira em chamas
Premiada contra meus olhos
Presa nas minhas mãos.
Noite escura
Alvo corpo, e
Puro,
Esmagado além da vista
E dos sentidos
Até que,
Nua e cegante,
A luz
Inundou a colina.
Ah, Deus, a aurora.
Agora, na onda sombria
A lívida,
O barco gelado voga-
Com um pálido brilho
De empréstimo.
A lua puxa as marés para o alto
Esvazia as mãos.
O coração está entorpecido
E ouve apenas
Um nome que o mar
Respira
Ah, Deus, na aurora.
Tristão e Isolda - Hannah Closs
Adaptação -> Cross Walker
Há 13 anos
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