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"A poesia é a mínima distância entre o sentimento e o papel" - Levi Trevisan.

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31/01/2010

A criança e o mar

Já se perguntou por que as coisas existem? Já parou para pensar na grandeza de Deus e em sua bondade? Já pensou em por que tantas coisas ruins acontecem se temos um Deus dito "tão bom"?
Não afirmo que respondo essas questões, e algumas outras, mas afirmo mostrar de forma bem simples, um caminho de como encontrar tais respostas...

Certo dia um garoto para e observa o mar. Encantado com aquela visão magnífica de ondas atrás de ondas subindo as areias, quebrando nas rochas. Aquele azul imenso, até onde a visão alcança. Surge uma dúvida em sua mente. Sem demora ele se põe a correr em direção de casa gritando:

– Papai, papai!

Chegando lá, ainda gritando, o garoto adentra a sala e senta no colo do pai. Seus olhos brilhavam demonstrando curiosidade.

– O que foi meu filho? – pergunta o pai com voz afetuosa e a face demonstrava ternura e paz.

– Papai, por que Deus criou o mar? – perguntou o garoto com aquela afobação infantil.

O pai coloca a mão na cabeça do filho e afaga, desalinhando todo o cabelo da criança.

– Bem filho, Deus criou o mar para que nós pudéssemos nos banhar nos dias de Sol muito quentes, e nos refrescássemos.

A criança desconfiando que aquilo não era tudo, mas satisfeita com a resposta, parte para uma nova pergunta.

– Então por que Deus criou o Sol? Se em dias quentes precisamos do mar.

O pai pára um pouco para pensar enquanto o garoto aguarda ansioso. Enfim responde:

– Bem filho, Deus criou o Sol para nos aquecer, para que tivéssemos prazer de sair, brincar, andar. Você sabe como é bom viver com o Sol nos aquecendo, e quando ficamos com muito calor, Ele nos deu o mar para termos prazer também. Além disso, nosso sustento também depende do Sol e do mar, e essa estrela também serve para nos iluminar lá de cima. Se olharmos para o Sol, podemos lembrar de Deus, que nos ilumina e nos aquece. Também é uma forma dEle dizer que existe, nos ama e zela por nós.

O garoto, novamente satisfeito com a resposta, olha pela janela, o dia ensolarado e vê uma cena que lhe fascina.

– Papai, e os passarinhos lá fora? Por que Deus os criou?

O homem acompanha os olhos do garoto e responde:

– Deus criou os passarinhos para serem livres e voarem pelos céus nos alegrando com seus lindos cantos. E olhando para eles, podemos ver Deus nos dizendo que se Ele criou esses seres para serem assim, livres e cantarolantes, quanto mais nós que somos Sua imagem e semelhança. Ele nos criou para sermos livres nEle e não desanimarmos, cantarmos sempre e exaltarmos louvores pois Ele está sempre de braços abertos, nos guiando.

O filho então, num estalo, como se um interruptor fosse ativado, fala:

– Deus é tão bom não é? Fez tudo isso por nós! Mas se é assim, se fomos criados para vermos a luz de Deus, por que existem pessoas desesperadas, sem esperança para a vida? Se fomos criados para sermos livres, por que existem pessoas presas em vícios e em dificuldades como a fome, ou mesmo com deficiências? Se fomos criados para exaltar louvores, por que existem pessoas com só um motivo de cantar? O De ver a morte todo o dia, mas ser forte o suficiente para superá-la?

O pai olha para a criança com ainda mais ternura.

– Justamente porque o homem é livre filho. Deus disse que nunca interferiria em nossa liberdade de escolha e ação. E isso traz estas conseqüências. Seres humanos querendo ser melhores que os outros, mudando o meio em que vivem e o alimento que comem e usando os outros ou até mesmo matando por dinheiro. O que vivemos até agora é a conseqüência de séculos de decisões humanas egoístas.

A criança quase chorando pergunta:

– Então pai... não há esperança?

O pai sorri e abraça fortemente seu filho.

– Claro que há meu pequeno, foi por esse motivo que Jesus veio e sofreu muito e morreu por nós. Assim, mesmo que sejamos escravos, somos livres e temos uma vida eterna, temos motivos para cantar e nos alegrar porque mesmo que o mundo inteiro esteja contra nós, como esteve contra ele, Deus nos ama e é por nós. E mesmo que encaremos a morte, a morte para nós é vida, e acima de tudo, Cristo veio para pregar o eu por outros ao invés do eu por mim. E é por isso que temos de mostrá-lo a essas pessoas desesperadas.

A criança, desta vez sorrindo, fala alegremente:

– Deus é bom demais para mim pai. Para todos na verdade, mas poucos vêem isso, por isso vou dedicar minha vida a essas pessoas, só assim o mundo poderá melhorar.

O garoto pula do colo do pai e sai correndo para rua em busca de seus amigos.

O pai dá um sorriso pensando sozinho: “Meu pequenino ingênuo, o mundo é um pouco mais complexo que isso, e por isso muitos desistiram de tentar, apesar disso, essa ingenuidade pode mesmo mudar o mundo...”

Cross Walker

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