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"A poesia é a mínima distância entre o sentimento e o papel" - Levi Trevisan.

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05/04/2009

Caibrã

Bom domingo pessoal, hoje é dia de descanso, estamos a semana inteira ralando, e a poesia que trouxe hoje é grande... É interessante que esta poesia surgiu de reflexões pessoais em momentos em que eu precisava de muita ajuda, foi também a época de transição onde eu comecei a aprimorar minha escrita. Então para vocês:

CAIBRÃ



Toda minha inspiração foi drenada
Onde está agora a essência da poesia que perdi?
Como que em gotas de sangue derramadas
Num eterno orgulho esperança a despedaça

Da paz nascida de uma alma torturada
A única brincadeira de uma criança lhe foi oculta
Como que debaixo do som suave e tranqüilo de tua voz
Cristalina, inundando meus tímpanos brutos com sons refinados
Como que um sino tocando o som de cristal molhado
Despertando sentimentos etéreos nas almas nuas

Sentimentos não mais falsos como o resto do mundo
Mergulhados em mascaras de falsidade para auto defesa
Mas um sentimento verdadeiro que mantém o mundo uno
Despertado no momento eternizado
De dois olhos cheios do líquido
De eternas gotas de amargura talvez
Despertadas pela simples leitura de uma recreante partitura

Que cada momento colorido
Tenha sido aproveitado por mentes vivas
No entanto não-perfeitas
Que o doce aroma deste tempo
Fique eternizado junto às imagens abstratas deste encanto
Junto às contendas de minh'alma

Lembrando-me do que esqueço a cada momento
Oh torturada alma
De aromas desconhecidos
Eterna, porém presa a um corpo mortal

Feita posta em contrapartida a sentimentos impuros, imperfeitos
És condenada a cada defeito
Encontrada na carcaça viva de corpos santificados
Devido ao sangue do Eterno derramado

Que um espírito de mal te tenha usado
Agora és completamente inocentada
Volta a teu criador alma torturada

Como que uma lâmina cega é este sentimento indefinido
Que já não desfere o golpe latejante com sucesso
Letal ao fracasso retomado de dor

Assim é este amor que nos faz ficar com os objetivos aflorados
Para sempre atordoados, esquecidos em uma vaga mente
Junto à cor do momento eternizado
Mencionado certamente no início deste poema mal feito

Ou poesia que tenta ao todo retratar um vago ser de forma emoldurada
Tentando ao máximo entender a flexão do verbo amar
Ao que enfim tento aprender o significado de viver
Tentar, lutar, continuar e vencer

Vitória certamente é uma palavra que não me pertence...
Cabe a mim justificar meus próprios atos?
Minha vitória é conquistada pelo sacrifício puro
E no fim, vitorioso foi aquele que morreu para que a mim sucedesse a vida

Eternamente conhecido este ser ficou, justiça trouxe?
Apenas revogou a autoridade da morte sobre a vida dos seus...
Já não estão mais entregues a própria sorte

Oh faca sem lâmina, como podes ainda ter poder de desferir golpe tão potente?
Certamente estás nas mãos de um perito em te usar
Quem é este ser flamejante que insiste em cortar com sucesso pessoas que vivem
Vivem normalmente em suas vidas tentando melhorar
Seguindo o caminho determinado pelo “ka”

Mas o que é o “ka” se não existe destino
Não posso deixar as águas, os fluxos contínuos de insanidade
Levarem-me pela vaidade de não entender o que é amar

Como posso eu fraquejar em meio a multidões feridas
Confiando-me a esperança de vida
Aguardando a sentença de morte
Não carnal, não mundana, mas eterna

Quem é o juiz que a tudo julgará enfim quando o martelo finalmente bater?
A quem será confinado o dever da sabedoria sobre cada ser
A chave de uma eternidade impensada, inimaginada
Nos foi entregue as mãos
E muitos de nós a joga no lixo

Então para estes, sobrará as portas de mármore
Feitas sobre os pisos de ouro
Onde dentro corre abundância de rios

Mas ao entrar nesta abundancia
Vê o liquido rubro, escarlate jorrando como fonte em terra
E se apavora com tanta sanguinolência presenciada
Já não mais em mente sana ou amargurada...
Sanidade já não existe... apenas a luz indeterminada
Que destruiu a mente de pessoas que se entregaram sem resistir
A um “ka” se deixaram levar, por um mundo seduzir
Mentes loucas que de louco me chamaram
Quem é louco agora?
Seu conhecimento é impotente
E sua sabedoria sobre um mundo antigo
Já não lhes é conveniente

Dos picos da noite eterna
Meu coração solta um rugido
Da noite de lua cheia
Um gemido exprimido em tons e semitons de soprano a baixo
Som refletido em águas puras de rios santos
Que percorre as terras sofridas de relva banhada
Realmente batizada pelo sereno de uma noite úmida

Molhada pelas lagrimas agora amarguradas
Pela sinfonia da noite composta de sons vivos
Orquestra afiada, anjos a espada
Cavalgando a céu alado
Vivendo em sintonia com um mundo renovado

Oh circulo da lua, ciclos da noite que se abaixam para o esplendor dos céus
Sobre a maldição de um véu lunar eterno
Das trevas recriadas pela luz
Um novo som a conduz

Já não morte, mas esperança assume os tons da noite
Do vermelho ao branco, do início ao fim
Entenderei este recado que não foi confiado a mim

Em noites desnudadas feridas pelos cantos de orquestra alada
Alcançando a nota mais alta, de piano enferrujada
Com a cantiga mais antiga
Dos tempos enfreadas
Vestindo o branco manto
Para o santo sacramento confiar-se

E em fim, a noite e o dia fundidos terminarem
Num único horário difuso de amor interminável
Incompreendido e imutável

Sobre asas caídas de um branco inigualável
Terminam as palavras sem sentido
De um homem abatido
Pelo próprio sentimento

De amor puro e fiel sedento
Sobre a margem do rio afinal...
Rio de lágrimas sem igual
Neste rio serão confinados tais segredos
Aqui e agora revelados, jamais novamente lidos
Muito menos novamente selados
Apenas esquecidos, pelas gerações que seguirão em frente
Completando o destino inexistente
Consumando os fatos terminados
Terminando o início
Começando o eterno!

Autor: Cross Walker

Bom domingo e amanhã eu volto com mais, abraços meus irmãos e fiquem com Deus.

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